domingo, 18 de dezembro de 2011

Caudal inofensivo

Custa ver este Porto a jogar, o ataque cardíaco está sempre eminente, o palavrão é uma constante e a cadeira ou o sofá parecem que têm molas, tantas vezes somos impelidos para cima com os braços abertos, as faces vermelhas e os dentes cerrados, é um desafio à sáude física e mental de qualquer adepto. 

Tantos ataques, eu cheguei a ver 63 registados nas estatísticas da TV, e tanta inoperância no momento de marcar, existe garra e querer dos jogadores mas também muito atabalhoamento, displicência e ineficácia, este foi o jogo em que foi mais marcante o actual calcanhar de aquiles desta equipa, a inexistência de um marcador nato, os jogadores chegam à baliza adversária e não têm uma referência para o passe de morte, tentam todos à sua maneira marcar ou mandam a bola lá para o meio e esperam que ela entre, se tivermos sorte, como foi o caso de hoje, a bola acaba por entar, o problema é quando não entra ou quando o adversário em contra-ataque marca um golo.

Não vale a pena nos iludirmos, este calvário irá continuar enquanto o homem de referência no ataque não surgir, neste aspecto acho que o clube terá que se mexer, não estou a ver a curto-prazo o Kléber ou o Walter desempenharem este papel.

Já agora, o que foi aquele canto marcado pelo Hulk directo para o Helton ? é por atitudes como esta que o Porto dos últimos anos é uma nulidade nos lances de bola parada, quantos cantos marcou o Porto nesta partida ? eu diria para aí mais de uma dúzia, quantos levaram perigo eminente à baliza ? eu diria para aí.... zero ?

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Matador precisa-se...


Depois do empate de ontem frente ao Zenit e de ver este Porto a jogar fiquei com uma azia que nem queiram saber. Esta equipa tinha todas as possibilidades para seguir em frente na Champions, mesmo com todas as suas fragilidades é muito superior aos Cipriotas e Russos que passaram à fase seguinte. No confronto com os Cipriotas, apenas fizemos um ponto, bastava ter amealhado mais um e seguiríamos em frente mas no futebol tal como em muitas outras coisas raramente se têm segundas oportunidades.


Depois de tanta discussão à volta da falta de competência do treinador e da falta de atitude dos jogadores, salta à vista do que realmente carece esta equipa, tivéssemos ontem um Falcao, um Jardel ou um Gomes e teríamos seguido em frente, falta-nos um matador, um jogador que quando recebe a bola na área garante meio golo. Temos uma equipa desequilibrada com excesso de jogadores em determinadas posições e falta deles noutras, Walter, Djalma e Kléber todos juntos neste momento não valem meio Falcao. Basta aos mais esquecidos relembrarem-se do tormento que a equipa passou o ano passado quando o Falcao esteve lesionado para perceber que sem um matador esta equipa da forma que está formatada não funciona, podemos dourar a pílula com eventuais rasgos de génio do Hulk mas não é a mesma coisa.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Sobrevivente ou convincente ?

Duas vitórias consecutivas no espaço de uma semana após o inferno decorrente da eliminação para a Taça de Portugal superaram as minhas melhores expectativas e acredito a da maioria dos adeptos Portistas, o último jogo com Shakthar já foi um sinal de que algo estava a mudar e o jogo de ontem com o Braga confirmou que este é um Porto pelo menos renascido do marasmo em que se encontrava. Hulk esteve em brasa e Defour fez um excelente jogo.



No entanto nem tudo são rosas, aquela aflição no final do jogo com o encaixe no bucho de dois golos foi um sinal que a equipa não está ao nível do que nos habituou, a defesa também continua uma lástima, mas mesmo assim com todas estas limitações a equipa mantém-se em 1º lugar, com o melhor ataque a segunda melhor defesa da 1ª liga, e ainda com a possibilidade de passar aos oitavos de final da liga dos Campeões, o nível de exigência do adepto Portista é efectivamente muito elevado.

A atitude dos jogadores é completamente diferente e quando aqui afirmei que muito difícilmente Vítor Pereira sobreviveria pois os jogadores não desempenhavam o seu papel, estava enganado, e ainda bem, alguém deu um murro na mesa e lhes abriu os olhos.

A arbitragem foi lastimável, um golo limpinho anulado e uma série de faltas erradamente assinaladas, então com o cebola foi de bradar aos céus, o Artur Dias deve ter uma implicação com o Uruguaio, tal foi a dualidade de critérios sempre que o cebola era um dos intervenientes na jogada. Este ano como a lampionagem segue em segundo lugar com os mesmos pontos do Campeão já não existe corrupção e más arbitragens apenas para a lagartada pois esses sempre que perdem é sempre por culpa do árbitro, nada a que não estejamos já habituados.

Será este Porto apenas um sobrevivente ou já um Porto convincente ? Hoje, ao ouvir o Freitas Lobo no jogo jogado, único programa cá do burgo que oiço sobre futebol, ele dizia algo parecido com isto: que este Porto está no meio entre a equipa de transições rápidas de Jesualdo e a de posse de Villa Boas, e esta indefinição no modelo de jogo imposta pelo Vítor para lhe dar um cunho pessoal é que está a causar os problemas na equipa. Será verdade ? o homem é capaz de ter alguma razão e apesar das críticas que muitos lhe fazem, acho-o uma das pessoas mais conhecedoras do nosso futebol, muito acima de um Tadeia, de um Manha e já agora, porque está na moda, de um Valdemar Duarte.

Com transições rápidas, posse ou uma salada de frutas das duas venha o Zenit para lhe mostrarmos o fogo do Dragão.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Dragão dá sinais de vida

E eis que, contra todas as previsões e professias, o dragão acorda de um coma profundo. Não foi um jogo excepcional, o do Porto contra este forte adversário de nome Shakhtar, mas o que faltou em nota artística, abundou em querer e preseverança e também em algo que sempre rareou toda esta época, e estrelinha da sorte, duas bolas ao poste da nossa baliza e um auto-golo do adversário prendaram-nos com uma vitória saborosa.

Agora há que ter calma e não entrar em euforias, o dragão apenas abriu um olho, e continua muito abaixo do que realmente vale, o próximo desafio está já ao virar da esquina e vai ser com um forte e difícil oponente, vamos ver o que esta equipa é capaz de fazer, eu fiquei agradavelmente surpreso pois já não via esta união e querer nos jogadores há muito tempo e foi bom festejar estes golos de uma forma que já não fazia há bastantes jogos.

Uma nota de destaque para dois jogadores, Helton e Hulk, estiveram soberbos...

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Opiniões


Nesta fase de indecisão do futuro do timoneiro da equipa principal de futebol do FC Porto, muitas discussões surgem entre Portistas no meio de todo o ruído que é gerado pela comunicação social, há que saber filtrar a música do ruído, ser coerente e principalmente justo para quem defende as cores do clube.


 
Existe uma enorme franja de adeptos Portistas que defendem a imediata saída do Vítor Pereira, culpando-o de tudo o que está mal no futebol azul e branco e os seus argumentos são simples e claros, não é treinador para um clube como o Porto, acusam-no de incompetência e de destruir em poucos meses uma equipa campeã vencedora da Liga Europa e de todo o trabalho que estava feito pelo anterior treinador. Para esta malta o Vítor era um ilustre desconhecido, apesar de ter sido o treinador adjunto na época anterior nunca teve nas suas mãos o leme de uma equipa com a responsabilidade que implica a grandeza do Porto, teve más decisões no escalonamento das suas equipas e cometeu demasiados erros durante os jogos no momento das substituições.

Existem os restantes, nos quais eu me incluo, que acham que as coisas não são tão lineares assim. A escolha do Vítor Pereira para o lugar de treinador pareceu-me sempre uma escolha teoricamente correcta, ex-adjunto, com conhecimentos profundos adquiridos ao longo de uma época inteira dos jogadores e adversários, não tinha créditos firmados, é certo, mas isso nunca impediu de treinadores nessas condições singrarem no Porto. Em relação às questões tácticas não as vou discutir, porque não sou um Freitas Lobo nem sequer treinador de bancada, eventualmente pode ter cometido alguns erros, principalmente no momento das substituições onde acho que acusa a pressão, mas parto sempre do princípio que o treinador conhece muito melhor os jogadores e as suas capacidades em cada momento do que qualquer adepto ou comentadeiro de futebol. Parece-me sim que não é um líder nato, autoritário e carismático como outros treinadores que passaram pelo Porto e acho que esta falta de autoridade é uma das suas principais falhas. Mas por mais voltas que esta malta dê, estas razões não são suficientes para justificar o futebol tão paupérrimo que o Porto apresenta neste momento, eventualmente podem ser suficientes para justificar um ou outro mau resultado, mas nunca o sofrível nível exibicional que a equipa apresenta.

Dito isto, é para mim evidente que os jogadores não estão a ajudar o treinador, e estou a ser simpático, e quando num barco uns remam para um lado e outros para outro o resultado é a estagnação. Ao assistir aos jogos do Porto qualquer um pode verificar que não existe solidariedade entre os jogadores, ninguém se desmarca para dar uma linha de passe ao colega pressionado pelos adversários, ninguém berra, ninguém discute, é a completa apatia, não me lixem uma equipa não desaprende futebol de um dia para o outro, é de uma atroz injustiça culpar única e exclusivamente o treinador por esta situação.

Para mim, a chicotada psicológica será sempre algo a evitar a todo o custo, mas uma vez atingido este ponto em que não existe união entre líder e liderados, o treinador deixa de ter condições para continuar a exercer a sua função, e sendo sempre o elo mais fraco inevitavelmente será retirado da equação.

Independentemente dos resultados dos dois próximos jogos, não acredito, e sinceramente espero estar redondamente enganado, que a união entre jogadores e treinador se reate e sendo assim é claro que a única solução passará pela saída do Vítor.

domingo, 20 de novembro de 2011

Um murro na mesa

Sobre o jogo de ontem, pouco há a dizer, aliás nada há a dizer, já todo o adepto Portista tem a plena consciência da miséria de jogo que a equipa detentora da liga Europa  realizou contra uma banal Académica. Ficará para a história a eliminação da Taça de Portugal, uma derrota por 3-0 que o Porto não sofria para eliminatórias da taça há cerca de 32 anos e uma derrota frente à Académica que não acontecia no seu reduto há mais de 40 anos. 

A margem de manobra do Vítor acabou ontem, e acho que ele tem plena consciência disso, muito dificilmente iremos fazer um bom resultado frente ao Zenit e o Vítor inevitavelmente tem os dias contados à frente da equipa de futebol do Porto. Eu afirmo isto, nem é pela eliminação da taça, porque já passamos por isso em épocas anteriores e com adversários bem mais débeis, é sim pela série consecutiva de jogos com exibições a roçar o ridículo, é a constatação que a equipa não tem capacidade de dar a volta ao estado actual das coisas.

Numa equipa de jogadores de top, de diferentes nacionalidades, culturas e costumes com uma larga percentagem a jogar nas suas selecções com diferentes jogadores e por vezes em diferentes posições  senão houver uma personagem aglutinadora na equipa,alguém que os motive, que os faça desfalecer em campo por ele, enfim um líder, a equipa nunca funcionará, infelizmente acho que é isso que falta ao Vítor, ele não é um líder, nem sequer um grande comunicador.

Uma coisa que me chateia nisto tudo é a facilidade com que se insulta o treinador e em que se denigre a sua imagem, dos nossos adversários entendo-o e passa ao lado, mas de adeptos portistas custa-me compreender, eu aceito a revolta e a desilusão de cada um de nós, aceito que o não considerem competente para o lugar, que ponham em causa a sua capacidade para transmitir as suas ideias à equipa, as suas decisões tácticas, mas daí partir para o insulto baixo e gratuito não aceito e não contem comigo para isso. 

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Partantos...

A Jorge Jesus, todos nós, devemos agradecer eternamente por tudo o que trouxe ao futebol Português principalmente desde que é treinador do clube onde se encontra. Desde a eloquência do discurso, o rico e exótico vocabulário, passando pelas tácticas inovadoras, notas artísticas, e cores brilhantes e sempre na moda das tintas que emprega na sua farta e estilosa cabeleira. Agora ficamos também a saber que existe um código profissional usado pelos grandes jogadores e partanto o Alan esteve mal ao afirmar que o Javi o tinha insultado pois isso é contra o código...Como é que é ? Código profissional ? Só esta figurinha nos podia proporcionar mais uma afirmação de entre tantas outras deste calibre, o homem foi insultado com comentários racistas mas como foi dentro do campo  e por um jogador do clube mais maior do mundo não se passa nada... 

Podem ver e ouvir estas bacoradas do mestre da táctica aqui