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quarta-feira, 14 de março de 2012

100%


Ao ler um excelente post no Porta19 sobre uma situação ocorrida há uns anos atrás no estádio das Antas, muito bem recordada pelo Jorge, veio-me à mente algumas linhas que li em blogs Ingleses afectos ao Chelsea pela altura da saída do André, encontrando alguns paralelismos com a situação do actual treinador do Porto.

É verdade que a SAD cometeu um erro crasso no início da época ao não acautelar a saída do Falcao e que a saída do André aconteceu num momento crucial da época, também é um facto que por várias vezes o treinador teve más decisões no escalonamento da equipa e só isto explica os maus resultados que a equipa tem acumulado, mas não explica tudo, e não explica principalmente o que se passou no último jogo e em outros tantos ao longo da época em que a equipa não funcionou durante meia parte, o que nos valeu a perda de preciosos pontos.

Existem muitos Portistas que estão contra o treinador, e que o consideram o único responsável pelos maus resultados da equipa de futebol, mas nesta situação em concreto apenas o poderão culpar por não conseguir motivar os jogadores, mas pergunto eu, será que o treinador tem a obrigação de motivar os jogadores ? Eu acho que não, os jogadores profissionais de futebol são das pessoas mais privilegiadas na nossa sociedade, têm um emprego do qual gostam e tiram prazer, jogar futebol, treinam apenas umas horas por dia, jogam 90 minutos 1 vez ou esporadicamente 2 vezes por semana, ganham principescamente e são idolatrados e reconhecidos por uma imensidão de desconhecidos. Todos os adeptos têm o pleno direito de exigir que os jogadores dêem tudo em campo pelo clube que representam, sem necessidade de motivações extra, quer sejam discursos à Mourinho, quer sejam prémios de jogo.

Muitos Portugueses é que precisam de motivação extra para trabalhar, pois ganham numa vida o que certos jogadores ganham num mês, porque têm um emprego de que não gostam, porque não recebem o seu salário no fim do mês, porque trabalham 8 ou mais horas por dia, porque o seu trabalho não é reconhecido por ninguém.

Mas a realidade, é que inacreditavelmente estas prima-donas precisam de motivação para darem 100% durante escassos 90 minutos de uma semana, e quando o treinador não a consegue incutir, tem que ser removido da equação, é uma injustiça eu sei, mas é mesmo assim. Já não existem João Pintos no plantel nem o Vítor Pereira é um Robson nem muito menos um Mourinho...

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Opiniões


Nesta fase de indecisão do futuro do timoneiro da equipa principal de futebol do FC Porto, muitas discussões surgem entre Portistas no meio de todo o ruído que é gerado pela comunicação social, há que saber filtrar a música do ruído, ser coerente e principalmente justo para quem defende as cores do clube.


 
Existe uma enorme franja de adeptos Portistas que defendem a imediata saída do Vítor Pereira, culpando-o de tudo o que está mal no futebol azul e branco e os seus argumentos são simples e claros, não é treinador para um clube como o Porto, acusam-no de incompetência e de destruir em poucos meses uma equipa campeã vencedora da Liga Europa e de todo o trabalho que estava feito pelo anterior treinador. Para esta malta o Vítor era um ilustre desconhecido, apesar de ter sido o treinador adjunto na época anterior nunca teve nas suas mãos o leme de uma equipa com a responsabilidade que implica a grandeza do Porto, teve más decisões no escalonamento das suas equipas e cometeu demasiados erros durante os jogos no momento das substituições.

Existem os restantes, nos quais eu me incluo, que acham que as coisas não são tão lineares assim. A escolha do Vítor Pereira para o lugar de treinador pareceu-me sempre uma escolha teoricamente correcta, ex-adjunto, com conhecimentos profundos adquiridos ao longo de uma época inteira dos jogadores e adversários, não tinha créditos firmados, é certo, mas isso nunca impediu de treinadores nessas condições singrarem no Porto. Em relação às questões tácticas não as vou discutir, porque não sou um Freitas Lobo nem sequer treinador de bancada, eventualmente pode ter cometido alguns erros, principalmente no momento das substituições onde acho que acusa a pressão, mas parto sempre do princípio que o treinador conhece muito melhor os jogadores e as suas capacidades em cada momento do que qualquer adepto ou comentadeiro de futebol. Parece-me sim que não é um líder nato, autoritário e carismático como outros treinadores que passaram pelo Porto e acho que esta falta de autoridade é uma das suas principais falhas. Mas por mais voltas que esta malta dê, estas razões não são suficientes para justificar o futebol tão paupérrimo que o Porto apresenta neste momento, eventualmente podem ser suficientes para justificar um ou outro mau resultado, mas nunca o sofrível nível exibicional que a equipa apresenta.

Dito isto, é para mim evidente que os jogadores não estão a ajudar o treinador, e estou a ser simpático, e quando num barco uns remam para um lado e outros para outro o resultado é a estagnação. Ao assistir aos jogos do Porto qualquer um pode verificar que não existe solidariedade entre os jogadores, ninguém se desmarca para dar uma linha de passe ao colega pressionado pelos adversários, ninguém berra, ninguém discute, é a completa apatia, não me lixem uma equipa não desaprende futebol de um dia para o outro, é de uma atroz injustiça culpar única e exclusivamente o treinador por esta situação.

Para mim, a chicotada psicológica será sempre algo a evitar a todo o custo, mas uma vez atingido este ponto em que não existe união entre líder e liderados, o treinador deixa de ter condições para continuar a exercer a sua função, e sendo sempre o elo mais fraco inevitavelmente será retirado da equação.

Independentemente dos resultados dos dois próximos jogos, não acredito, e sinceramente espero estar redondamente enganado, que a união entre jogadores e treinador se reate e sendo assim é claro que a única solução passará pela saída do Vítor.